
Dr. Marcos Cherem, chefe do setor de cardiologia do Hospital Vaz Monteiro, ele e sua equipe são referências em Minas Gerais
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Com a chegada das baixas temperaturas e a queda na umidade relativa do ar, aumentam consideravelmente as complicações respiratórias - como gripes, resfriados e pneumonias. No entanto, um perigo silencioso e menos conhecido da população também ganha força nesta época do ano: o crescimento expressivo nos casos de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e Acidente Vascular Cerebral (AVC).
Estudos do Hospital das Clínicas de São Paulo apontam que a incidência de ataques cardíacos pode subir em até 30% durante os meses mais frios. A explicação fisiológica envolve o estreitamento dos vasos sanguíneos (vasoconstrição) provocado pelo frio, mecanismo que o corpo utiliza para reter calor, mas que eleva a pressão arterial e a carga de trabalho do coração.
Para entender os riscos e saber como se prevenir, a redação do Jornal de Lavras conversou com o médico cardiologista Dr. Marcos Cherem, chefe do setor de Cardiologia do Hospital Vaz Monteiro e referência na área em Minas Gerais. Confira as orientações prestadas pelo especialista.
Jornal de Lavras: Por que os riscos de infarto e AVC aumentam no frio?
Dr. Marcos Cherem: Durante os dias frios, nosso organismo reage contraindo os vasos sanguíneos para conservar o calor. Isso aumenta a pressão arterial e faz o coração trabalhar mais. Além disso, o sangue pode ficar mais espesso e com maior tendência à formação de coágulos, aumentando o risco de infarto e AVC. Outro fator importante é o aumento das infecções respiratórias no inverno, que provocam inflamação no organismo e podem desencadear eventos cardiovasculares, especialmente em pessoas que já possuem fatores de risco.
Jornal de Lavras: Quais as faixas etárias mais afetadas?
Dr. Marcos Cherem: Os idosos são os mais vulneráveis, principalmente acima dos 60 anos, por apresentarem maior frequência de hipertensão, diabetes, colesterol elevado e doenças cardiovasculares. No entanto, adultos mais jovens também podem sofrer infarto ou AVC, especialmente se forem fumantes, obesos, sedentários ou tiverem pressão alta, diabetes ou histórico familiar. Por isso, ninguém deve negligenciar os fatores de risco.
Jornal de Lavras: Outras doenças cardíacas também têm elevação no inverno?
Dr. Marcos Cherem: Sim. Além do infarto e do AVC, observamos um aumento das descompensações da insuficiência cardíaca, das crises de hipertensão arterial e de algumas arritmias. As infecções respiratórias, mais comuns nessa época do ano, também podem agravar doenças cardíacas já existentes, aumentando o número de atendimentos e internações.
Jornal de Lavras: Como reduzir os riscos durante os dias mais frios?
Dr. Marcos Cherem: As principais medidas são manter a pressão arterial, o diabetes e o colesterol bem controlados, usar corretamente os medicamentos prescritos, evitar o cigarro, manter uma alimentação saudável e praticar atividade física regularmente, respeitando as condições climáticas. Também é importante manter-se aquecido, hidratar-se adequadamente, evitar mudanças bruscas de temperatura e manter a vacinação em dia, especialmente contra a gripe e a Covid-19, pois as infecções respiratórias podem aumentar o risco de complicações cardiovasculares. E, diante de sintomas como dor no peito, falta de ar, fraqueza em um lado do corpo ou dificuldade para falar, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente, pois o tratamento precoce salva vidas.
Jornal de Lavras: Quais os tempos ideais para atendimento em serviços capacitados nos casos de Infarto e AVC para reduzir os riscos de sequelas e mortes?
Dr. Marcos Cherem: Tanto no infarto quanto no AVC, o tempo é fundamental. Quanto mais rápido o paciente chegar a um serviço capacitado e receber o tratamento adequado, maiores são as chances de sobrevivência e menores os riscos de sequelas.
No infarto, quando há necessidade de angioplastia, o ideal é que a artéria responsável pelo infarto seja desobstruída o mais rapidamente possível, preferencialmente em até 90 minutos após a chegada ao hospital. Quanto maior a demora, maior pode ser a perda de músculo cardíaco.
No AVC isquêmico, causado pela obstrução de uma artéria cerebral, o tratamento também deve ser iniciado imediatamente. A medicação para dissolver o coágulo, quando indicada, pode ser utilizada em geral até 4 horas e meia após o início dos sintomas, mas quanto mais cedo for administrada, melhores são os resultados. Em casos selecionados, a retirada do coágulo por cateterismo, chamada trombectomia mecânica, pode ser realizada em uma janela de até 24 horas.
Por isso, diante de sinais de infarto ou AVC, não se deve esperar os sintomas melhorarem em casa. É preciso procurar imediatamente um serviço de emergência capacitado ou acionar o SAMU pelo 192.
Costumamos dizer que, no infarto, "tempo é músculo" e, no AVC, "tempo é cérebro".
A saúde é um direito fundamental de todos, contudo, a falta de acesso à informação precisa ainda impede que muitas pessoas adotem hábitos preventivos e busquem o tratamento adequado. Foi com o compromisso de orientar a população e promover a conscientização sobre os riscos específicos desta época do ano que o Jornal de Lavras consultou o cardiologista Dr. Marcos Cherem. Esperamos que estas orientações contribuam para o bem-estar e a proteção de toda a comunidade.
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