
Bruno Maia é lavrense, historiador, músico e cineasta
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No próximo dia 16 de abril, quinta-feira, às 19h30, a Casa da Cultura será palco de um importante resgate da memória regional. A Braia Produções apresenta o documentário "Ambrósio, Rei do Campo Grande: O Rei Esquecido de uma História Roubada", dirigido pelo músico, historiador e cineasta Bruno Maia.
A obra mergulha em um passado de resistência e violência ocorrido em meados do século XVIII. A ligação de Lavras com o tema é direta e desconcertante: foram dois personagens da história local, Diogo Bueno da Fonseca e Bartolomeu Bueno do Prado, que lideraram as maiores campanhas militares contra os quilombos do Campo Grande, perseguindo implacavelmente o líder Ambrósio.
Fruto de uma pesquisa minuciosa em fontes primárias, mapas de época e memória popular, o filme foi rodado em locais que foram epicentros dessa resistência, como Cristais, Ibiá, Lavras, São João del-Rei, Prados e Formiga.
A experiência visual conta com dezenas de ilustrações originais do artista Thiago Brito, devidamente animadas para dar vida aos relatos. A trilha sonora é assinada pelo próprio Bruno Maia em parceria com o renomado violeiro Ivan Vilela.
Após a exibição, de 45 minutos, Bruno Maia, que é lavrense e de tradicional família de músicos, participará de um bate-papo com o público para detalhar os bastidores da produção e a complexidade do tema.
O documentário surge em um momento de reflexão global. Recentemente, em 25 de março, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução histórica classificando o tráfico transatlântico de africanos como o crime mais grave contra a humanidade - uma decisão que enfrentou resistência política de três países que quiseram apagar este capítulo que mancha a história, os governos que querem esconder esta página foram os Estados Unidos, Israel e Argentina.
No plano local, o "esquecimento proposital" também deixou marcas. O texto recorda o massacre de 1751, quando Bartolomeu Bueno do Prado, cumprindo ordens para exterminar os quilombos entre os rios das Mortes e Grande, apresentou 3,9 mil pares de orelhas de negros e indígenas como prova de sua "eficiência" militar. O filme busca dar voz e face a essas vítimas silenciadas pela historiografia oficial.




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