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Matéria Jornalística /


Publicada em: 27/02/2026 20:52
Em Belo Horizonte, prefeita de Lavras cobra descentralização de recursos federais

O grito do municipalismo de Jussara, que lidera a frente por novo pacto federativo

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Em uma participação estratégica no programa Café com Política, do jornal O Tempo, a prefeita de Lavras e presidente da Frente Mineira de Prefeitos (FMP), Jussara Menicucci (PSD), subiu o tom contra o atual modelo de distribuição de recursos no Brasil. Nesta sexta-feira, dia 27 de fevereiro, em Belo Horizonte, a gestora defendeu que a autonomia real das cidades só virá com uma reforma profunda no pacto federativo.

A tese defendida por Jussara é clara: a descentralização administrativa precisa ser acompanhada pela descentralização financeira. Para a prefeita, o modelo atual sobrecarrega as prefeituras, que são o "para-choque" das demandas sociais, enquanto a maior fatia do bolo tributário permanece em Brasília.

"A federação precisa mudar. É no município que a vida acontece. O cidadão que adoece bate na porta do prefeito, não na do governador ou do presidente", pontuou Jussara à jornalista Síria Caixeta.

A saúde pública é o ponto mais sensível dessa conta que não fecha. Enquanto a Constituição Federal exige um investimento mínimo de 15% da arrecadação municipal no setor, a realidade das cidades polo, como Lavras, é muito mais severa.

Lavras, segundo Jussara, destina 30% de seu orçamento total para a saúde - o dobro do exigido por lei. Mesmo com esse esforço financeiro, a demanda cresce em ritmo superior à capacidade de custeio, evidenciando o subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Uma pesquisa recente aponta que 83% dos secretários de saúde em Minas Gerais confirmam que os recursos atuais são insuficientes para manter a qualidade do atendimento.

Além da questão financeira, Jussara abordou o atraso tecnológico na rede pública. Embora a digitalização e a telemedicina sejam vistas como soluções para aperfeiçoar o atendimento, a implementação caminha a passos lentos no Brasil.

Ao citar discussões recentes com o Ministério da Saúde em Belo Horizonte, a prefeita destacou que a estrutura de telessaúde ainda é incipiente. Segundo ela, embora existam polos de tecnologia sendo criados pela secretaria liderada por Stella Haddad, a expansão para cidades polo como Lavras ainda deve enfrentar obstáculos burocráticos e de infraestrutura nos próximos anos.

O pleito de Jussara Menicucci não beneficia apenas Lavras, mas toda a sua microrregião. Ao defender que cidades sede recebam aportes maiores, a presidente da FMP argumenta que o fortalecimento desses polos alivia a pressão sobre os pequenos municípios vizinhos e libera recursos para que as prefeituras possam, finalmente, investir em obras de infraestrutura essenciais que hoje ficam em segundo plano devido à prioridade absoluta da saúde.

 
 



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