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Rosa Luto
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Lavras perdeu, nesta segunda-feira, dia 26, um de seus moradores mais longevos e uma verdadeira memória viva do século XX. José Roza dos Santos faleceu aos 107 anos, deixando um legado que atravessou gerações e desafiou o tempo.
Nascido em 8 de julho de 1918, José veio ao mundo em um ano que definiu a era moderna. Enquanto a Primeira Guerra Mundial redesenhava as fronteiras globais e a pandemia da Gripe Espanhola assolava nações, ele dava seus primeiros passos no lugarejo de Bananal, em São Tiago (MG). Naquela época, o Brasil era presidido por Venceslau Brás e Minas Gerais era governada por Delfim Moreira, em um tempo onde o Rio de Janeiro ainda era a capital federal.
Em 1965, José Roza escolheu Lavras para ser seu lar, estabelecendo-se na Vila Alzira. Ele costumava recordar com saudosismo que, ao chegar, o bairro possuía apenas três casas. Trabalhou arduamente como servente de pedreiro, construindo não apenas edifícios, mas uma vasta e sólida família ao lado de sua esposa, Dona Filomena Cândida da Silva, falecida em 2010.
O bom caráter de José Roza é um testemunho de sua vitalidade. Ele deixa uma linhagem de cinco gerações, composta por 11 filhos: Alceu, José Rosa, Celina, Marina - em memória, Maria, Flávio, Edson, Hélio - em memória, Olívia, Roseli e Jandir. Deixou também 49 netos, 63 bisnetos, 28 trinetos e 6 tataranetos. Seu filho primogênito tem hoje 85 anos, apenas dois anos a mais que o filho José Rosa Filho, de 83, que acompanhava de perto a saúde do pai.
A rotina do centenário desafiava os manuais da medicina moderna. Com uma saúde de ferro, ele não fazia uso de medicamentos contínuos e surpreendia médicos em seus exames semestrais. Mantinha hábitos peculiares: dormia às 23h, acordava às 6h, apreciava suas três doses diárias de cachaça e não abandonava o cachimbo, hábito que carregava desde os 11 anos de idade. Passava parte de seu tempo cuidando de sua horta, onde cultivava verduras e frutas.
Homem de fé inabalável e católico fervoroso, José Roza enfrentou com coragem seu último desafio: um câncer de estômago diagnosticado há um ano. Após uma vida de lutas e vitórias, ele descansou nesta segunda-feira.
O corpo de José Roza dos Santos será velado amanhã, terça-feira, dia 27 de janeiro, seguido pelo sepultamento no Cemitério Paroquial da Saudade, em Lavras. A cidade se despede não apenas de um cidadão, mas de um capítulo de 107 anos da nossa história.

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