
Na esquina do INSS, em Lavras, um dos poucos que ainda resta na cidade. Foto: Jornal de Lavras
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A paisagem urbana brasileira está prestes a perder um de seus ícones mais nostálgicos. A partir deste mês de janeiro, terá início em todo o território nacional o processo de retirada dos orelhões de telefones públicos remanescentes. Eles, que por décadas foram a principal via de comunicação para milhões de brasileiros, deixarão definitivamente de compor o cenário das ruas e praças do país.
Em Lavras, ainda restam alguns poucos orelhões e, de acordo com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), todos já fora de operação. Um deles fica na esquina do INSS. Outro, na praça Augusto Silva, nas proximidades das agências bancárias. Há ainda um exemplar na rua Lourenço Menicucci e, na portaria do Hospital Vaz Monteiro, existe um telefone público afixado na parede, não em um orelhão. É possível que outros ainda resistam na paisagem da cidade.
Segundo dados da Anatel, o declínio foi vertiginoso. O Brasil já chegou a contar com uma rede de 1,1 milhão de aparelhos espalhados de norte a sul. Hoje, esse número é uma fração do que já foi: restam apenas cerca de 39 mil telefones públicos instalados em todo o território nacional.
Em Minas Gerais, o cenário reflete essa desativação gradual, atualmente, existem apenas 871 aparelhos cadastrados no estado. Deste total, 508 ainda estão em pleno funcionamento. De acordo com a Anatel, 331 encontram-se em manutenção e 32 possuem status indefinido. Esses aparelhos estão distribuídos por apenas 240 dos 853 municípios mineiros.
A retirada não será simultânea. O plano de desativação seguirá critérios técnicos, primeiro serão retirados os aparelhos inoperantes, eles serão os primeiros a serem removidos das calçadas.
Já os orelhões localizados em cidades ou distritos que ainda não possuem sinal de telefonia móvel (celular) terão uma sobrevida temporária. A meta é que, até 2028, a infraestrutura de telefones públicos seja totalmente extinta no país.
Para os lavrenses, a notícia evoca memórias de uma época em que o acesso à comunicação era um evento público. O primeiro orelhão da cidade foi inaugurado em 12 de maio de 1982. Instalado pela antiga Telemig (Telecomunicações de Minas Gerais), o aparelho ficava estrategicamente localizado na praça Augusto Silva, em frente ao Vitória Palace Hotel.
A democratização do serviço avançou rápido naquele ano. Em 8 de dezembro de 1982, o bairro Nova Lavras recebia o seu primeiro "orelhão comunitário", facilitando a vida dos moradores que, na época, enfrentavam as longas filas e os altos custos para se obter uma linha telefônica residencial.
Com o avanço da tecnologia 5G e a onipresença dos smartphones, o orelhão despede-se das ruas para entrar definitivamente nos livros de história e na memória afetiva de quem um dia precisou de uma ficha ou um cartão telefônico para dizer "alô".
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