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Um estudo liderado pela professora e coordenadora do curso de Fisioterapia do Unilavras, Luciana Crepaldi Lunkes, acaba de ser publicado no Journal of Physiotherapy, considerada uma das mais relevantes revistas científicas da área no mundo.
O artigo é fruto de uma pesquisa feita durante seu pós-doutorado, realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação da Unisuam (Centro Universitário Augusto Motta), no Rio de Janeiro, e contou com a colaboração dos fisioterapeutas Milton Apolinário Dias Neto, Lavínia Fernandes Barra, Lívia Resende de Castro e Arthur de Sá Ferreira, além do professor supervisor Ney Meziat-Filho.
A investigação desafia um dos princípios tradicionais do método Pilates e abre novas perspectivas para o tratamento de pacientes com dor lombar crônica.
O que diz o estudo?
Tradicionalmente, a prática do Pilates exige a ativação e contração constante dos músculos do abdômen (o chamado core ou powerhouse) para garantir a estabilidade da coluna. Porém, a pesquisa conduzida pela professora Luciana questionou essa necessidade em pacientes que sofrem de dor lombar crônica, partindo da premissa de que esses indivíduos já apresentam uma hiperativação e rigidez excessiva nessa musculatura.
"As evidências já mostram que pessoas com dor lombar crônica, na verdade, apresentam essa musculatura hiperativada e não fraca, como se acreditava antigamente. Então, ficava sempre aquela dúvida: será que continuar incentivando a contração do abdômen durante o Pilates faz sentido?", explica Luciana.
Durante 12 semanas, 152 pacientes foram divididos em dois grupos e tratados com duas sessões semanais de Pilates de 60 minutos. Todos os participantes realizavam os mesmos exercícios, originários do método Pilates no solo, com uma única diferença: enquanto um grupo recebia orientação para contrair o abdômen durante a prática, o outro era instruído a mantê-lo relaxado.
Os resultados apontaram que instruir o relaxamento dos músculos abdominais resultou em uma melhora levemente maior na incapacidade física dos pacientes quando comparado ao grupo que manteve a contração.
Para outros fatores, como intensidade da dor e funcionalidade específica, manter o abdômen relaxado se mostrou tão bom quanto, ou até sutilmente melhor, do que manter o abdômen contraído. Essa descoberta sugere que o foco excessivo na contração pode não ser necessário e que o relaxamento traz benefícios importantes no alívio de comportamentos de proteção muscular excessiva, o que também se aplica a outros tipos de exercícios terapêuticos no tratamento de pacientes com dor lombar crônica.
Importância da pesquisa na formação dos alunos
Um dos grandes diferenciais da pesquisa foi a imersão de estudantes do Unilavras no processo. Alunos de iniciação científica atuaram ativamente durante o ensaio clínico. O envolvimento contínuo desses estudantes exemplifica a missão do Unilavras em conectar ensino e prática de alto nível.
Sobre o papel transformador da ciência na graduação, a professora Luciana é categórica: "O aluno que passa pela iniciação científica e tem contato com pesquisa de verdade é outro aluno. Ele se forma de uma maneira completamente diferente". A coordenadora ressalta o orgulho em ver os futuros fisioterapeutas participando de publicações robustas e os incentiva constantemente a se envolverem nos editais de pesquisa da área.
O artigo, intitulado "Keeping the abdomen relaxed versus contracted during Pilates improves disability slightly and may improve other outcomes in chronic non-specific low back pain: a randomised trial", está publicado no volume 72 da Journal of Physiotherapy (2026), com acesso pelo DOI: https://doi.org/10.1016/j.jphys.2026.03.007.
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