
Vidro quebrado por pedradas desferidas por um dependente químico que queria ser preso para poder conseguir tratamento
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O silêncio da madrugada desta quarta-feira, dia 28, na unidade do destacamento da Polícia Militar em Itumirim, subordinada ao 8º Batalhão de Lavras, foi quebrado pelo barulho de pedras arremessadas contra o patrimônio público. O autor do ataque mirou o portão e os vidros da unidade, causando danos visíveis e forçando a intervenção imediata dos militares de plantão.
No entanto, ao ser abordado, o homem não apresentou resistência, fuga ou agressividade. Em vez disso, entregou aos policiais um relato direto que causa perplexidade e tristeza.
Com isso, o autor confessou que o crime de dano ao patrimônio foi, na verdade, uma tentativa extrema de chamar atenção das autoridades. Consumido pelo vício e incapaz de romper sozinho o ciclo da dependência química, ele arquitetou o ataque com o único objetivo de ser preso em flagrante. Na sua lógica distorcida pela dor e pela abstinência, o ambiente controlado da detenção seria o único lugar capaz de mantê-lo afastado das drogas e garantir algum tipo de tratamento.
Este caso levanta uma reflexão amarga sobre a dependência química: quando um ser humano enxerga na perda da própria liberdade a sua única esperança de sobrevivência, fica evidente que o vício já o havia escravizado muito antes de ele tocar na primeira pedra. Especialistas alertam que a prática não representa um caminho adequado de acesso a tratamento e reforça a necessidade de políticas públicas fora do sistema penal.
Apesar da motivação humanitária por trás do ato, o homem responde pelo dano que provocou: ele foi detido e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil para as providências legais cabíveis quanto ao dano causado. O caso agora segue para o Judiciário, mas deixa uma marca evidenciando a urgência de políticas públicas de saúde mental e recuperação que alcancem os que precisam.
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