
Josias Nunes de Oliveira sempre jurou inocência, "meu ônibus não bateu no Opala do ex-presidente Juscelino Kubistchek"
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[História de Lavras e do Brasil - Com informações do acervo de Efemérides de Eduardo Cicarelli] Faleceu na última semana, no dia 16, terça-feira, em Indaiatuba (SP), aos 82 anos, Josias Nunes de Oliveira. Ex-motorista da Viação Cometa, Josias passou grande parte da vida sob a sombra de uma das maiores tragédias políticas do Brasil: por décadas, ele foi apontado pelo regime militar como o responsável pelo acidente carro/ônibus que vitimou o ex-presidente Juscelino Kubitschek, em agosto de 1976.
A morte de Josias ocorre em um momento de profunda reviravolta histórica. Há menos de um mês, no dia 29 de maio de 2026, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aprovou um relatório histórico que mudou oficialmente a versão da morte de JK, concluindo que o ex-presidente foi, na verdade, assassinado pela ditadura militar. Clique aqui e leia a matéria.
O caso que envolveu Josias possui conexões diretas e surpreendentes com a cidade de Lavras. Na época do acidente, o motorista só não foi preso graças à atuação do magistrado lavrense Gilson Vitral Vitorino (1941-2022), que anos mais tarde se tornaria desembargador.
Sendo então juiz da Comarca de Resende (RJ), o magistrado lavrense julgou o caso e indiciou Josias por homicídio culposo (sem intenção de matar). Durante todo o processo, o motorista afirmava categoricamente que o ônibus que ele dirigia nunca havia batido no Opala de Juscelino Kubitschek. Josias acabou sendo absolvido pela Justiça em 1978, mas o estigma e a acusação informal da opinião pública o acompanharam por quase meio século.
A nova investigação da CEMDP, aprovada por seis votos a favor e uma abstenção, desmontou por completo a farsa do acidente automobilístico montada em 1976 e expôs 37 fraudes cometidas pelo regime militar para encobrir o atentado político.
Entre as falhas e adulterações mais graves apontadas pelo novo relatório, destacam-se: a comissão técnica provou que a colisão traseira envolvendo o ônibus da Viação Cometa nunca ocorreu.
A lanterna traseira do Opala de JK mostrava, através de fotografias da época, que ela estava intacta quando o veículo foi retirado do local do acidente. No entanto, ela apareceu quebrada no relatório oficial do governo militar, uma fraude deliberada para simular o impacto do ônibus.
"A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos lamentou profundamente o falecimento de Josias e reiterou que ele foi vítima de uma cruel injustiça histórica, tendo sido acusado formalmente sem qualquer tipo de prova."
Em vida, Josias relatou em diversos depoimentos o sofrimento, o isolamento e as humilhações que enfrentou ao carregar o peso de ser o "homem que matou JK".
Antes de seu falecimento, a Comissão Especial já preparava um pedido público de desculpas ao ex-motorista devido ao erro do Estado brasileiro. Agora, com a sua partida, o documento de retratação histórica e oficial será entregue diretamente aos seus familiares.
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