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Por: Letícia Marques - Jornalista
Faleceu aos 100 anos uma mulher cuja história atravessou gerações e deixou marcas profundas em familiares, amigos e em todos que tiveram o privilégio de conhecê-la. Com sua vida dividida entre Lavras e Ribeirão Vermelho, dona Albertina Pinheiro Gomes construiu ao longo de um século um legado de fé, simplicidade, generosidade e amor ao próximo. Seu sepultamento será realizado neste domingo, às 15h30, em Ribeirão Vermelho.
Registrada oficialmente em agosto de 1925, ela completaria 101 anos neste ano. Ao longo da vida, costumava dizer que sua idade poderia ser ainda maior. Segundo relatos contados por seus pais e repetidos por ela durante décadas, teria nascido durante o período da Gripe Espanhola e sido registrada apenas alguns anos depois. Embora não existam documentos que comprovem essa informação, a história foi preservada pela família e acompanhou sua trajetória por toda a vida.
Ao longo de sua existência, testemunhou alguns dos acontecimentos mais marcantes da história da humanidade. Viveu durante a Segunda Guerra Mundial, acompanhou profundas transformações sociais, culturais e tecnológicas, viu a chegada da televisão, a ida do homem à Lua, o surgimento dos computadores, dos telefones celulares e da internet. Também atravessou pandemias globais que marcaram diferentes gerações, tornando-se testemunha de mais de um século de mudanças no mundo.
Nunca se casou e não teve filhos. Ainda assim, dedicou sua vida à família e ao cuidado com o próximo. Participou da criação de sobrinhos, sobrinhos-netos, sobrinhos-bisnetos, sobrinhos-tataranetos e de tantos outros que vieram depois. Foi madrinha de várias gerações da mesma família, acompanhando o nascimento, o crescimento e a caminhada de seus afilhados ao longo das décadas. Para muitos, exerceu o papel de conselheira, amiga, exemplo de fé e presença constante nos momentos mais importantes da vida.
Mulher de profunda religiosidade, viveu uma trajetória marcada pela oração, pela humildade e pela bondade. Era conhecida pelas palavras acolhedoras, pelas histórias compartilhadas, pelas tardes de conversa e pelo café sempre servido com carinho a quem chegava à sua casa.
Sua partida encerra uma jornada centenária, mas seu legado permanece vivo nas lembranças, nos ensinamentos e no amor que distribuiu ao longo de toda a vida. Mais do que os anos vividos, ficam os exemplos deixados por uma mulher que atravessou gerações sem perder a simplicidade, a dignidade e a confiança em Deus.
A família se despede com gratidão por sua longa caminhada e pela história extraordinária de uma mulher que fez do amor ao próximo a sua missão.

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