
A operação foi desencadeada em Campo Belo e mais quatro cidades mineiras, além de 13 cidades de mais quatro estados brasileiros. Fotos: Polícia Federal
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Uma força-tarefa de elite, composta pela Polícia Federal (PF), Receita Federal e Ministério Público Federal (MPF), deflagrou na manhã desta quinta-feira, dia 7 de maio, uma ofensiva de grande escala contra crimes financeiros. Batizada de operações "Títulos Podres" e "Consulesa", a ação mira uma organização criminosa acusada de causar um prejuízo astronômico de R$ 770 milhões aos cofres públicos.
Embora a operação tenha alcance interestadual, o Sul de Minas está sob os holofotes. Campo Belo figura entre as cidades estratégicas onde mandados judiciais estão sendo cumpridos rigorosamente. A presença das viaturas federais e do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) na cidade reforça a tese dos investigadores de que a rede de influência e o escoamento de capitais do esquema possuíam ramificações importantes no município.
Além de Campo Belo, em Minas Gerais, a PF também cumpre mandados em cidades como Formiga, Belo Horizonte, Pouso Alegre e Nova Lima.
O grupo investigado operava uma engrenagem sofisticada que envolvia escritórios de advocacia, consultorias e empresas de fachada. O "produto" oferecido era a promessa de redução ou quitação de dívidas fiscais através do uso de créditos fraudulentos, os chamados "títulos podres".
O esquema utilizava procurações eletrônicas e contas de terceiros ("laranjas") para pulverizar movimentações financeiras, dificultando o rastreio do dinheiro e configurando o crime de lavagem de capitais.
Ao todo, 79 mandados judiciais estão sendo executados em 17 cidades de cinco estados (MG, SP, RJ, ES e MA). O prejuízo estimado é de R$ 770 milhões. A Operação Consulesa (2ª Fase), focada em desvios de R$ 670 milhões, com 29 mandados de busca e 4 prisões preventivas.
Já a Operação Títulos Podres foca em danos de R$ 100 milhões, com 40 mandados de busca e 6 prisões temporárias. A Justiça Federal já determinou o congelamento de R$ 32 milhões para garantir o ressarcimento ao erário.
A investigação aponta um nível de sofisticação preocupante, ao menos dez advogados estão entre os investigados e há indícios contundentes da participação de servidores públicos, que facilitariam a validação dos créditos falsos dentro dos sistemas governamentais.
A operação mobiliza 215 policiais federais e 43 auditores da Receita. As investigações continuam para mapear a extensão total da fraude e identificar novos beneficiários do esquema em Campo Belo e região.
Colaborou na matéria: Kelly Cistina / Diário Campo Belo









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