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Matéria Jornalística /


Publicada em: 19/02/2026 18:21 - Atualizada em: 19/02/2026 22:28
Ufla investe R$ 900 mil em tecnologia inédita para converter resíduos agrícolas em "petróleo verde"

Pesquisadores do laboratório de biomateriais

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A Universidade Federal de Lavras (Ufla) deu um salto estratégico na corrida pela sustentabilidade e inovação energética. O Laboratório Multiusuário de Biomateriais e Energia da Biomassa (Lambeb) iniciou a operação de um sistema de alta precisão capaz de "desvendar" a composição molecular da biomassa em poucos minutos. O investimento, que beira os R$ 900 mil, promete acelerar o desenvolvimento de biocombustíveis e produtos sustentáveis de alto valor agregado.
O novo equipamento é um Sistema de Cromatografia Gasosa acoplada à Espectrometria de Massas com pirólise (PY-GC/MS). Na prática, ele funciona como um forno de altíssima precisão que aquece pequenas amostras de biomassa e analisa os vapores liberados.
"A ciência exige ferramentas sofisticadas. Esse equipamento nos permite avançar em nível molecular e ampliar muito a qualidade das nossas análises", destaca o professor Thiago Protásio, coordenador do projeto.
A aquisição foi viabilizada com recursos da Fapemig (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais) e contou com a gestão administrativa da Fundecc (Fundação de Desenvolvimento Científico e Cultural).
A Ufla já é referência na transformação de resíduos, como a casca de café, em pellets (cilindros de energia compactada). Com o novo sistema, os pesquisadores agora podem ir além, como identificar compostos no bio-óleo para substituir derivados do petróleo. Analisar vapores da produção de carvão vegetal e resíduos florestais. Criar novos coprodutos químicos a partir do que antes era descartado.
O professor João Moreira Neto compara o processo a uma refinaria convencional: "A diferença é que, em vez de petróleo, usamos biomassa para gerar produtos sustentáveis".
A chegada do equipamento em Lavras envolveu uma complexa operação de importação internacional e adequação laboratorial, concluída no final de dezembro de 2025. Segundo Cristiane Figueiredo Fialho, da Fundecc, a viabilização do sistema era uma das metas prioritárias do projeto.
Além do impacto científico, o sistema será integrado às disciplinas de graduação e pós-graduação. A coordenadora técnica do laboratório, doutora Vanúzia Rodrigues, explica que a equipe já passa por treinamento para auxiliar alunos na interpretação dos resultados. Para o professor Tiago José Pires de Oliveira, o impacto é amplo: "Fortalecemos a inovação e a formação de profissionais para uma área estratégica para o país".


 
 



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