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O jornalista, advogado, professor e escritor Aureliano Borges, ao lado da estátua de Roberto Drummond, na praça da Savassi, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte
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A memória coletiva brasileira guarda com nitidez a imagem da personagem que escandalizou a conservadora sociedade mineira dos anos 50 e 60. Imortalizada no livro de Roberto Drummond e, posteriormente, na icônica minissérie da TV Globo, a trajetória da "garota do Minas Tênis Clube" que abandonou o luxo para viver na zona boêmia da Rua Guaicurus tornou-se um marco da cultura nacional. No entanto, onde termina a imaginação do escritor e onde começa a vida de Hilda Maia Valentim?
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Capa do livro
É para responder a essa pergunta que o advogado, jornalista e professor Aureliano Borges apresenta sua mais nova obra: "Hilda Furacão é gente de verdade ou é uma criação ficcional de Roberto Drummond ou as duas coisas?". O livro, publicado pela Editora Dialética, é o resultado de uma densa pesquisa de mestrado e conta com a organização e orientação da professora da Universidade Federal de Lavras (Ufla) Dalva de Souza Lobo.
A obra de Aureliano Borges se destaca por desconstruir o mito. O autor investiga como a figura de Hilda ultrapassou as páginas da literatura para se tornar parte intrínseca da memória cultural urbana de Belo Horizonte.

Hilda Maia Valentim, a Hilda Furacão
O livro analisa o abismo entre a personagem fictícia - a jovem da alta sociedade - e a mulher real, de origens humildes, que migrou de Recife ainda criança.
Diferente do final aberto da ficção, Aureliano detalha o ocaso de Hilda Maia Valentim, que viveu seus últimos dias em um asilo em Buenos Aires, falecendo em 2014, apenas um dia antes de completar 84 anos.
A pesquisa também lança luz sobre o contexto familiar de Hilda. Sua vida mudou drasticamente através do casamento com o jogador Paulo Valentim, craque com passagens pelo Atlético Mineiro e Botafogo. Ao ser contratado pelo Boca Juniors na década de 1960, Valentim tornou-se um ídolo monumental na Argentina, levando a família a fincar raízes em Buenos Aires.
A participação da Ufla na organização deste livro reforça o compromisso da universidade com o resgate da história e do patrimônio imaterial. Sob a orientação acadêmica da instituição, Aureliano Borges consegue transformar um ícone da cultura pop em objeto de estudo do conceito de metaficção historiográfica da canadense Linda Hutcheon, e análise filosófica e histórica, através do conceito de Alegoria do alemão Walter Benjamin, oferecendo ao leitor uma visão definitiva e ressignificantiva da mulher por trás do furacão Hilda.
"Hilda Furacão é gente de verdade ou é uma criação ficcional de Roberto Drummond?" não é apenas um livro de memórias, mas uma peça fundamental para entender como as cidades criam suas próprias lendas e mitos.
Ivan Drummond, primo de Roberto Drummond, também jornalista do Estado de Minas foi quem descobriu Hilda Maia na Argentina. Ele ressalta: "Hilda Furacão onde ela estiver". Essa é a última das muitas dedicatórias que Roberto Drummond (1939-2002) faz no livro Hilda Furacão (1991 Geração Editorial). Pois a verdadeira personagem, viúva do jogador de futebol Paulo Valentim, ídolo do Atlético, Botafogo, Boca Juniors; jogou ainda no Atlantes (México), batizada Hilda Maia Valentim, está viva com 83 anos. Solitária, mora em um asilo, o Hogar Guillermo Rawson, no bairro Jujuy, em Bueno Aires, que paga as despesas é o município portenho. Não há mais glamour e o luxo dos tempos dourados na capital argentina, nem resquícios da vida na zona boêmia de Belo Horizonte, que a tornou famosa nos anos 1950. A realidade da mulher, que na obra de ficção de um dos maiores escritores mineiros se chama Hilda Gualtieri von Echveger, é outra completamente diferente da personagem da literatura. Ela, aliás, nunca frequentou o Minas Tênis, nem sequer sabe onde fica.
Portanto existe uma constelação de Hildas: literárias, históricas, politicas e cotidianas. Juntas compõem uma paisagem dinâmica que Aureliano Borges consegue compreender apenas porque avança com atenção – como Drummond ensinou – pelos recantos onde a memória persiste.
Hilda Furacão representa, simultaneamente, tanto uma pessoa quanto uma criação; um mito e um registro; uma voz e um silêncio.
Trata-se de uma alegoria que se atualiza constantemente. E talvez seja exatamente por isso que permanece relevante: pois cada era descobre a sua própria Hilda, e cada Hilda reflete para o Brasil a imagem que ainda provoca certo temor. (Trecho do livro autorizado pelo autor).
Quem quiser ler a obra de Aureliano Borges, (porque vale muito a pena), acesse o site da editora Dialética. Clique aqui e tenha acesso ao site e faça seu pedido e boa leitura.
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