
Pescador exibe exemplar de dourado capturado em local proibido
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[Matéria EXCLUSIVA Jornal de Lavras] O Jornal de Lavras recebeu, com exclusividade, imagens alarmantes que comprovam a prática de crimes ambientais na barragem da Usina Hidrelétrica do Funil. O vídeo, registrado pelo denunciante especialmente para a nossa reportagem na última terça-feira, dia 30 de dezembro, traz à tona o funcionamento do esquema de pesca ilegal na região.
A denúncia ocorre em um momento crítico para a fauna aquática. Desde o dia 1º de novembro de 2025, está em vigor o período da Piracema, que se estende até 28 de fevereiro de 2026. Neste intervalo, a pesca é estritamente proibida para garantir a reprodução dos peixes, que sobem o rio para desovar.
Entretanto, o que se vê na Usina do Funil é um cenário de "terra sem lei". Os infratores utilizam métodos predatórios proibidos, como tarrafas e redes, além de anzóis, em uma área onde a pesca é vetada durante todo o ano por questões de segurança e preservação.
O relato do denunciante é estarrecedor. Segundo ele, os pescadores se amontoam nas margens e nas estruturas da barragem, operando em turnos que cobrem o dia e a noite. O alvo principal é o dourado, espécie símbolo da bacia e essencial para o equilíbrio do rio. Estima-se que, em um único dia, quase uma centena de exemplares sejam retirados ilegalmente da água, interrompendo o ciclo de vida e comprometendo drasticamente a população de peixes para os próximos anos.
Um dos pontos mais sensíveis da denúncia diz respeito à segurança pública e ambiental. De acordo com o denunciante, o monitoramento na região da barragem sofreu uma redução sensível após um episódio trágico: a morte de um policial da Polícia Militar Ambiental no local, ocorrida no dia 11 de julho de 2024. Desde então, a sensação de impunidade teria atraído um número ainda maior de pescadores irregulares. "A presença deles se tornou um abuso constante. Eles sabem que a fiscalização está reduzida e se aproveitam da vulnerabilidade do rio justamente quando ele mais precisa de proteção", afirma o denunciante.
Especialistas alertam que a pesca predatória durante a desova não causa apenas um prejuízo imediato. Ao retirar o peixe antes que ele deposite seus ovos, os criminosos estão "matando" as gerações futuras. O resultado é o empobrecimento do rio Grande, afetando não apenas a natureza, mas também os pescadores artesanais que respeitam as leis e dependem do equilíbrio do ecossistema para sobreviver.
O Jornal de Lavras encaminhará as imagens às autoridades competentes e acompanhará o posicionamento da Polícia Militar Ambiental e da administração da Usina do Funil sobre as medidas que serão tomadas para coibir a prática e retomar o monitoramento ostensivo na área.
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