
Prefeito de Ribeirão Vermelho Welder Marcelo Pereira ladeado por Marcelo Azevedo Maffra, da Coordenadoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, e pelo arquiteto Eduardo Gontijo, da Associação Arquitetos sem Fronteiras
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A histórica rotunda de Ribeirão Vermelho, reconhecida como a maior da América Latina e um dos mais importantes marcos da arquitetura ferroviária brasileira, está passando por um ambicioso projeto de restauração. A iniciativa, liderada pela administração municipal, acaba de ganhar um impulso importante com o aporte de recursos significativos para a próxima etapa.
A primeira fase do restauro, já quase finalizada pela Prefeitura, concentrou-se na estrutura essencial do edifício. O ponto alto foi a recuperação completa do telhado, garantindo a proteção do valioso interior. Para manter a fidelidade ao projeto original, foram utilizadas telhas confeccionadas sob medida, que são réplicas exatas das telhas de Marselha, na França, modelo que revestia o monumento desde sua construção.
A segunda etapa, denominada Fase B, foi contemplada com um investimento substancial de R$ 3 milhões. Estes recursos são provenientes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio das Promotorias de Patrimônio Cultural.
O montante faz parte do programa Minas para Sempre e é oriundo de um fundo de compensação, onde empresas repassam valores ao Ministério Público como reparação por danos causados ao patrimônio histórico-cultural.
Para a execução técnica desta fase de grande importância, a Prefeitura de Ribeirão Vermelho contará com a expertise da Arquitetos Sem Fronteiras (ASF), uma instituição reconhecida por seu trabalho em projetos de alto valor social e patrimonial.
No dia 13 de novembro, o prefeito Welder Marcelo Pereira e o arquiteto Eduardo Gontijo, representando a Associação Arquitetos Sem Fronteiras, estiveram em Belo Horizonte. Eles se reuniram com o promotor Marcelo Azevedo Maffra, responsável pela Coordenadoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais.
Na ocasião, foram formalmente informados que a rotunda foi contemplada com o aporte de R$ 3 milhões para o restauro. A expectativa é que as obras da Fase B, que prometem devolver o esplendor a este ícone ferroviário, tenham início em janeiro.
A restauração não apenas preserva um bem de relevante valor histórico para Minas Gerais e para o Brasil, mas também representa um investimento no turismo e na identidade cultural da região.
Rotunda de Ribeirão Vermelho, o Coliseu mineiro

Rotunda que está passando por um processo de restauração, para preservar a história da ferrovia em Minas Gerais e no Brasil
A rotunda de Ribeirão Vermelho não é apenas um prédio antigo, é um monumento da história industrial brasileira e um símbolo grandioso da engenharia ferroviária. Sua importância se estende do âmbito local ao continental, sendo reconhecida como a maior rotunda ferroviária da América Latina.
A rotunda foi construída pela Companhia Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM) entre 1895 e 1897. Na época, Ribeirão Vermelho (que só se emanciparia de Lavras em 1948) era um ponto estratégico importante para a expansão da malha ferroviária. A própria estação foi inaugurada em 1888, inicialmente com o nome de "Lavras".
A estrutura circular servia como o principal depósito, oficina de manutenção e montagem de locomotivas a vapor e material rodante de bitola métrica. Sua forma circular ou semicircular era essencial para o manuseio das máquinas; no centro, existia um girador que permitia que as locomotivas fossem viradas em seu próprio eixo para entrar nas diversas "baias" de manutenção.
A grandiosidade e a identidade arquitetônica da rotunda são notáveis. Com um diâmetro impressionante de 75 metros, o edifício foi construído com materiais de alta qualidade, muitos deles importados, da Escócia e França, o que demonstra a importância dada ao complexo.
A rotunda é um exemplo emblemático da arquitetura do ferro no Brasil, refletindo a importância dos complexos ferroviários para o desenvolvimento econômico-industrial do final do século XIX.
O complexo ferroviário de Ribeirão Vermelho funcionava como um centro vital de manutenção para a EFOM, garantindo a operacionalidade dos trens que escoavam a produção e integravam a região.
A ferrovia e a rotunda moldaram a realidade histórico-social da cidade, sendo o coração da infraestrutura e desenvolvimento de Ribeirão Vermelho.
Colaborou na matéria Kaique Ramos
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