
Euterpe Operaria, que completa hoje, dia 24 de setembro,115 anos de fundação
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História de Lavras - por Eduardo Cicarelli
Hoje, dia 24 de setembro, é uma data muito expressiva para a cultura lavrense, isso porque há exatos 115 anos era fundada a Corporação Musical Euterpe Operária.
A história da Euterpe começa na verdade no dia 2 de setembro de 1910, quando se reuniram neste dia, às 15h, na redação do jornal "O Operário", sob a presidência de Jose Luiz de Mesquita, um grupo de pessoas para discutir a formação de uma corporação musical composta de operários.
Na reunião ficou decidido que a nova corporação musical se chamaria "Euterpe Operária" e que seria inaugurada em breve, tão logo fossem adquiridos os instrumentos da antiga "Lyra Lavrense", de propriedade de José Francisco Rosa.
Ainda nesta reunião foi nomeada uma diretoria provisória que ficou assim constituída: diretor: José Luiz de Mesquita; regente: Arnaldino Tertuliano de Souza; secretário: Bernardo de Oliveira Dias; tesoureiro: Francisco Eugênio de Siqueira e, procurador: José Goulart Filho.
Presentes nesta reunião estiveram ainda José Honorato, João Corrêa da Silva, Estevam Cunha, José Felippe da Cunha, José Pinto de Almeida e José Ignácio de Araújo.
Passados 22 dias a Euterpe foi fundada, tendo a frente o professor, líder operário e jornalista José Luiz de Mesquita. Nestes 115 anos a Euterpe vem escrevendo uma história de muita luta e sucesso, ela é, sem dúvida, a maior expressão cultural de Lavras.
A Euterpe Operária passou a ter presença obrigatória em todos os eventos da cidade, como no dia 30 de maio de 1915, quando foi inaugurado o túnel que dá acesso aos trens da Rede Sul-Mineira, situado na chácara de Francisco Marafelli, na zona rural de Lavras. Hoje ele é conhecido como túnel da estação Costa Pinto e fica, praticamente no centro de Lavras.
A mais antiga corporação musical passou a participar de todos os eventos públicos, religiosos, esportivos, educacionais e até mesmo de eventos particulares, tamanho era o sucesso.
Nestes 115 anos a Euterpe participou também de momentos tristes, como no sepultamento de muitos de seus antigos músicos que foram ficando pelo caminho, mas o momento de maior dor foi quando os integrantes da corporação, num cortejo pelas ruas de Lavras, entoando marcha fúnebre, levou até a sepultura, no dia 16 de junho de 1967, o professor José Luiz de Mesquita, o fundador da Euterpe Operária, em 1910; da Sociedade Operária Lavrense, em 1909; do jornal "O Operário"; do colaborador dos jornais: "O Municipal", "O Município", "O Incentivo", "O Civilista", "Tribuna do Povo" e na "Revista Ilustrada Ei".
José Luiz de Mesquita é lembrando também por ter alfabetizado mais de 5 mil pessoas, por ter trabalhado para os jornais "O Repórter" e "Ação Social", de São João del-Rei, "O Bambuí", o "28 de Setembro", de Pouso Alegre, "A Abelha" e "O Verbo", de Nepomuceno e, também "O Operário", de Lisboa, Portugal.
Foi ainda um dos fundadores do "Moreno Esporte Clube", do "Crisântemo Clube", da Sociedade de São Vicente de Paulo, em Lavras e responsável pelo tombamento da igreja do Rosário, pelo Patrimônio Histórico Brasileiro.
Após a morte de José Luiz de Mesquita, cinco anos depois, no dia primeiro de dezembro de 1972, o prefeito Leonardo Venerando declara de utilidade pública, através da lei número 849, a Euterpe Operária.
Outra homenagem de destaque para o ilustre professor foi prestada no dia 22 de junho de 1988, quando o então prefeito Célio de Oliveira homenageou a comunidade negra de Lavra, representada pela "Consciência Negra Lavrense", inaugurando a herma do professor José Luiz de Mesquita, na praça João Oscar de Pádua, ao lado da igreja do Rosário.
O orador oficial da cerimônia, o jornalista Herculano Pinto Filho, lembrou das qualidades do homenageado e de seu trabalho junto a educação e a cultura. Segundo Herculano Pinto, "o prefeito Célio de Oliveira com seu gesto não homenageou apenas o educador, mas todos os negros de Lavras, porque José Luiz de Mesquita era a expressão máxima da raça que tanto contribui com o progresso de nossa cidade".
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