
Moysés Bezerra da Rocha Gonçalves, morto na Ucrânia, foto: Redes sociais. Abaixo, atendimento ao soldado Luiz Otávio Borges Nunes de Novais, morto após ser atropelado ontem na MG-167. Foto: Corpo de Bombeiros
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O Sul de Minas Gerais está em luto pela perda precoce de dois jovens militares que tiveram suas trajetórias interrompidas de forma trágica e em cenários completamente distintos. Da brutalidade da guerra no Leste Europeu aos perigos imprevisíveis de uma rodovia mineira, o destino uniu as histórias de Moysés Bezerra da Rocha Gonçalves e Luiz Otávio Borges Nunes de Novais na dor de suas famílias e no respeito de suas comunidades.
O primeiro caso que comoveu a região foi o de Moysés Bezerra da Rocha Gonçalves, de 37 anos, natural de Itajubá. Movido pelo desejo de combater, Moysés havia se alistado no Exército da Ucrânia e perdeu a vida em combate no dia 28 de maio, no violento front da guerra contra a Rússia. Devido à complexidade do conflito, à distância e ao tempo transcorrido desde o ocorrido, o corpo do militar não será trazido de volta ao Brasil, com o sepultamento previsto para ocorrer no próprio Leste Europeu. Diante da impossibilidade de um velório tradicional, familiares e amigos reuniram-se no sábado, dia 6 de junho, em Itajubá, para um culto de despedida. Mesmo sem o corpo presente, a cerimônia foi marcada por profundas homenagens e o doloroso sentimento de luto por uma vida ceifada na linha de frente internacional.
Enquanto uma família chorava uma perda no exterior, outra tragédia se desenhava bem mais perto de casa, em solo mineiro. Na noite de ontem, segunda-feira, dia 8 de junho, um jovem soldado do Exército Brasileiro, de apenas 18 anos, perdeu a vida em um grave acidente na rodovia MG-167, no trecho entre Três Corações e Cambuquira.
A vítima foi identificada como Luiz Otávio Borges Nunes de Novais, natural de Três Corações e soldado da Escola de Sargentos das Armas (ESA). O acidente aconteceu por volta das 18h30, no km 89.
Segundo informações da Polícia Militar Rodoviária (PMRv), o jovem estava a pé e havia acabado de desembarcar de um ônibus quando tentou atravessar a pista. A fatalidade se deu em uma trágica sequência de eventos. O primeiro impacto foi de um carro de passeio, o motorista relatou que um vulto surgiu repentinamente à sua frente, tornando impossível evitar o atropelamento. O segundo impacto, na sequência, foi de um ônibus que trafegava pela rodovia e também atingiu a vítima. O condutor do coletivo afirmou ter avistado o corpo na pista, mas não teve tempo hábil para frear ou desviar.
O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas, ao chegar ao local, constatou que o jovem militar já estava sem os sinais vitais. A área foi imediatamente isolada para os trabalhos da perícia técnica. Um oficial da ESA compareceu ao trecho da rodovia para realizar a confirmação oficial da identidade de Luiz Otávio.
Separados por milhares de quilômetros e por contextos completamente diferentes - um enfrentando os perigos geopolíticos de uma guerra mundializada e o outro a dura realidade dos perigos cotidianos em nossas estradas -, ambos os militares deixam um vazio irreparável no Sul de Minas, lembrados pela juventude e pela escolha de servir.

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